O e-mail marketing e as negociações eletrônicas
em contact centers, incluindo atendimento a dúvidas de clientes, hoje, mostram
crescimento em proporção de cinco para um em relação ao ano de 2005. Essa prospecção
é pequena, diante do hábito instalado pelos internautas. Empresas de médio e grande
porte têm em vista o investimento nessa área. É difícil desconsiderá-la, pois o
consumidor opta pela facilidade de comunicar-se a partir do ponto de trabalho ou de casa.
Evita o desgaste de uma ligação telefônica ou o stress de dirigir-se a pontos de
vendas. O equilíbrio está em oferecer atendimento pronto, humano e eficaz. O público
espera pelo bom serviço.
A MANM Training
& Business Solutions tem atuado em treinamentos para Comunicação Empresarial em
diversos segmentos de mercado. Foi possível analisar todo tipo de e-mails com fins
comerciais, quer seja na abordagem de vendas ou contact centers. A consultoria passa por
monitoração e levantamento dos casos para uma aplicação adequada do treinamento com
foco na necessidade apresentada pelo grupo. Os aspectos a serem observados vão desde o
domínio da Língua Portuguesa escrita, até a aplicação para esse meio de comunicação
que, de forma alguma, dispensa a etiqueta profissional adequada.
Uma questão
embaraçosa é a falta de domínio que o operador apresenta da Língua Portuguesa. A
questão não é apenas da alfabetização, mas do significado que as palavras e as
pontuações podem imprimir ao texto. O que se pensa dizer, nem sempre significa o mesmo
para quem lê a mensagem. O ponto de exclamação foi responsável por um caso
interessante em uma de nossas jornadas:
O operador
recebeu um questionamento sobre mercadoria entregue indevidamente, e o cliente perguntou
se poderia devolver pelo mesmo portador. O atendente solícito responde:
Claro!!!!!
Quantas
interpretações são possíveis a essa expressão? Tudo depende do ponto de vista. O
operador tinha a intenção de ser muito educado e gentil. E o cliente? Compreende da
mesma forma? O que se sucedeu foi uma reclamação à Diretoria daquela empresa. Afinal, o
cliente sentiu um certo desprezo à inteligência dele. O ponto de exclamação não é
muito oportuno em comunicações empresarias, justamente pela carga emotiva que expressa. Pontuação modifica o sentido do texto. Não é
uma questão de respiração, como pensam alguns. É uma questão gramatical. Coloque a
vírgula antes e após a palavra logo no enunciado abaixo:
Se o
cliente reclama logo se faz o atendimento.
Se colocado
antes da palavra logo, você terá uma idéia conclusiva na oração seguinte.
Ou seja, por conseqüência se faz o atendimento. A vírgula após o termo
logo já modifica a mensagem. Refere-se, nesse segundo caso, ao tempo em que o
cliente faz o contato.
Outro termo
utilizado incorretamente em e-mails marketing, ao final das mensagens, é para
maiores informações, ligue para 0800 3333333 Aqui há um problema de
medida. Informações não são comparadas em maiores ou menores, não há metro para
elas. No caso, escreva: para mais informações ou para outras informações.
É bastante comum encontrarmos situações escritas que entram no
automatismo das relações tecnológicas e não passam por um processo reflexivo. Textos
em que o foco da mensagem continua no interesse do emissor são constantes. É importante
reconhecer o ponto de vista do cliente e objetivar a mensagem para ele. Não há tanto
tempo a perder assim nesse mundo globalizado. Então prefira mensagens curtas, simples e
claras. Não atribua a outros a responsabilidade de compreender a mensagem que é de sua
empresa. Simplifique.
A praticidade
do e-mail não dispensa a etiqueta nesse meio de comunicação. Quem decide o vocativo é
o emissor. A forma de manter o cliente ou contato plugado é questão de bom-senso; mas é
necessário mantê-lo, independentemente do grau de envolvimento que há entre as partes.
É terrível receber e-mails com um simples OK. Lembre-se, somos textos
ambulantes e tudo diz sobre nós. Nesse caso a leitura pode ser até de pouco caso em
relação às pessoas com as quais se comunica.
A linguagem
não-verbal, imagens, fotos devem ser bem cuidadas. Elas dizem mais que o texto escrito,
vez que esse meio é essencialmente visual. Abuse dela; porém coloque foco em cada
mensagem. Reúna assunto de interesse para enviar ao seu cliente potencial. Não faça uma
miscelânea de mensagens que possam ir de batatas a eletrônicos. Quem recebe a imagem
enviada não identificará o foco da mensagem. Da mesma forma, cuide bem do campo
assunto, ele deve cumprir papel de manchete de jornal claro, rápido,
objetivo e com foco no interesse do cliente . Uma técnica interessante é a do
questionamento. Em vez de afirmar algo, pergunte. Converse com o cliente desde esse campo,
desperte a curiosidade, não desperdice a oportunidade. Garanta a leitura do texto. Se
você não conseguiu vender o produto, criou uma imagem de sua empresa no subconsciente do
leitor. Amanhã ele lembrará de você. O cliente que não fecha negócio hoje poderá se
tornar um potencial amanhã.
A antiga idéia
de se remunerar pessoas por atendimento já deveria estar apagada do objetivo das
empresas. Algumas persistem em mantê-lo. Mas, de nada adianta um palavreado bonito,
informando ao cliente que reclamações como as dele é que fazem a diferença, se a
empresa não oferece soluções efetivas ao consumidor. A remuneração deveria ser por
casos efetivamente resolvidos. Essa atitude nortearia a comunicação para a excelência e
fidelização dos clientes.
O domínio da
comunicação continua ponto forte nos negócios e dessa vez entrou definitivamente no
centro das atenções. A situação exige preparo. Mensagens mal cuidadas podem denegrir a
imagem corporativa. E-mails ganham aspectos legais relevantes e não podem ferir o direito
do consumidor. Neste momento se faz necessário preparar as pessoas que fazem esses
contatos. Orientá-las para um padrão corporativo e que traduza a imagem que a empresa
pretende manter no mercado.
Irma
Ugarelli Manfrenotti é consultora em Comunicação Empresarial da MANM.
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